Procurando por Ela – Segunda Versão – Capítulo IV

A multidão dos dois autores se amontoavam em filas que estavam gradeadas. Não havia dúvida. Se Tony já era o Best Seller nas últimas três semanas na lista do The New York Times as filas confirmavam, uma vez que os fãs de Tony eram mais do que o triplo daqueles que estavam nas filas de Collins.

people in concert
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Chegou a hora de abrir as grades que organizavam as filas. Houve um tumulto inicial, mas a polícia agiu prontamente para a segurança de todos e o processo se normalizou. Os fãs eram de jovens a idosos. Queriam o autógrafo e fotos. Das 17 às 21hs foi trabalho duro, especialmente para Tony que teve seis intervenções de Clair para relaxar a mão direita.

– Eu acho que seu fã clube é 99% de mulheres. Todas são lindas e as mais maduras dão em cima de você descaradamente. Acho que por tudo que sei e vejo você não foi feito para ter apenas uma mulher, disse Clair em sua última dessas intervenção.

– É impressão sua Clair. Deixe de ser ciumenta. Fora a dor, estou me divertindo à valer e minha mulher é você, disse Tony.

Clair sentiu que ele não estava como das outras vezes. Necessitando dela só para cuidar da mão, mas não emocionalmente. Se sentiu mais uma apenas.

Fim da sessão às 21hs todos se deram parabéns e Tony combinou com seu pessoal uma semana de folga antes de voltar ao Brasil, até porque as redes de televisão queriam entrevistá-lo. Fez uma surpresa para Clair. Disse que no dia seguinte suas filhas, Katherine e Kath, estariam juntas com eles. Estava morrendo de saudades, embora se falassem todos os dias. Não as havia trazido e nem a família de Clair porque enfrentariam e estariam muito expostos à mídia. Agora, sabia como manejar essa situação.

– Por que você não me disse isso antes, perguntou Clair numa mistura de sentimentos de amor e ódio. – Eu sou a mãe delas, mãe solteira disparou em cima de Tony.

– Clair, que ódio é esse, perguntou Thony. Quis fazer uma surpresa para você e, além do mais, elas serão minhas filhas, levarão o meu sobrenome, Augustus, como já lhe disse, complementou Thony.

– Saudades das minhas filhas, perguntou Clair ironicamente. Você matou sua saudade de mulherengo neste evento. Nós vamos conversar no hotel. A que horas elas chegam, perguntou Clair.

– Que bicho te mordeu Clair. São minhas filhas. Já disse que vou assumir a paternidade delas no civil porque eu as amo como pai e você relutou, mas concordou. Elas vêm pelo avião da empresa. Ah! vão achar tão gostoso. Chegam depois de amanhã, à tarde, às 18hs. Eu sei a caraminhola que você pôs na cabeça para estar raivosa. Mas, já digo que você está errada.

– E veja, era para ser surpresa para você. Combinei tudo para ninguém contar para você. Mas, esta é uma prova de amor o que estou fazendo. Será que você não percebe. Vai estragar tudo, perguntou Thony. Eu amo você, nossas filhas e as que virão, as outras gêmeas. Entenda isso, por favor Clair. De uma vez por todas. Tentou beijá-la, mas ela desviou. Clair estava tão transtornada que até mesmo a surpresa da filhas, tomou como traição de Thony.

Ao chegarem ao hotel Tony e Clair foram diretos para a suíte dando boa noite a todos. O agente Thomas, junto com os dois policiais, os agentes brasileiros e do hotel formariam turnos.

– Amor, Thony puxou Clair e lhe deu um beijo carinhoso, você pode fazer uma última massagem depois do nosso banho, perguntou Thony.

– Ela disse que sim, mas que gostaria de tomar banho sozinha. Preciso relaxar, disse Clair.

– Mas, amor é nosso banho de comemoração. O que houve, perguntou Thony.

– Nada! Eu só quero ficar um instante sozinha. Estou cansada, menos que você, mas estou e entrou no banheiro.

– Eu já até imagino o que é!!!! Exclamou Thony.

– Sim!!! Exclamou Clair que saiu do banheiro de roupão só para “atirar”. Você ficou quase cinco horas rodeado de mulheres, lindas, sensuais, ricas e nem me deu atenção quando fiz os curativos!!!! Explodiu de raiva e ciúme Clair. Será que o Thony mulherengo voltou, perguntou com ironia Clair.

Bateu a porta e voltou para o banho.

Thony se jogou na cama já sabendo que o problema era por aí. Mas, ficou sem entender tanto ciúme.

Clair terminou seu banho saindo vestida com calça e blusa de dormir e se direcionou para o quarto. Pegou um pijama de Thony e o jogou em cima dele, sem dar uma palavra. Thony tomou seu banho e quando foi entrar no quarto este estava trancado.

– Clair, abra a porta. Isso está passando dos limites. Vamos conversar, disse Thony. Você disse que iríamos conversar, complementou.

Clair abriu a porta e foi logo se sentando em um dos sofás da suíte, dando a entender que não iria conversar, mais dar um recado.

– Você disse que passaremos mais uma semana descansado em Nova York, antes de voltarmos ao Brasil. Durante esse tempo fingiremos que está tudo bem entre nós. Um dia antes da viagem convocaremos uma coletiva de imprensa para dizer que não estamos mais juntos e eu vou ficar aqui cuidando de outros clientes. A desculpa vai ser de que morar em dois países iria desgastar a relação e a amizade e de que não seria bom para as crianças. Que idiota eu fui em acreditar em você. Terminou Thony! Fui mais uma na sua cama, mas, desta vez, sou eu quem está terminando, disse Clair.

– Clair, por favor me escute. Essa situação foi totalmente nova para mim. Você viu o tamanho do evento. Ali, naquelas horas, a pressão foi muito grande e eu não estava no controle de tudo. Senti sua falta ao meu lado para me proteger o tempo todo. Pedi para você ficar junto, mas você disse que o show era meu e só aparecia para massagear minha mão. Você está sendo injusta e assombrada pelo seu passado, disse Thony.

– Assombrada pelo meu passado???? Ou pasma com o que vi e vivi hoje Thony? Eu sei que eventos como esses às vezes fogem do controle do autor, mas, neste caso, foi longe demais. Centenas de mulheres queriam seu autógrafo sim, mas queriam e conseguiram se insinuar, Sabe… é como vocês dizem: “tirar uma lasquinha”. E conseguiram. Bastardo!!!!! Você me usou!!!! Você que não superou o passado. Precisa de um médico muito bom e remédios, cretino!!!! E se retirou para o quarto com o rosto molhado.

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Thony não era uma pessoa de desistir. Não admitia a situação, sabendo que se amavam. Deu um tempo para refrescar as ideias e montar uma estratégia a fim de desfazer esse problema. Já não lembrava mais o dia em que tinha desistido. Nunca desistiu, nem quando foi embora da casa do pai fazer sua vida e nunca perdeu uma tacada.

Mas, agora, um frio percorreu sua coluna, estremeceu e ficou uns minutos deitado no sofá-cama. Levantou-se com determinação. Não poderia terminar de nenhum jeito a relação entre os dois. Foi até a porta do quarto e ouviu duros gemidos. Ela estava sofrendo. Não podia deixar essa situação continuar. Ele tinha de agir. Girou a maçaneta da porta e…ela estava aberta. Como fazer? O que dizer? Onde estava sua racionalidade? Assumiu que estava perdido, como nunca esteve antes. Nada de palavras melodramáticas. Nada de culpas. Agora era a hora da ação!

Empurrou a porta e disse: – Nós vamos casar, você vai me dar mais duas filhas gêmeas e vamos viver de mãos dadas para o resto da vida, disse com firmeza. – Você é a mulher que eu estava procurando e não vamos terminar nossa relação, disse ainda mais firme.

Ela continuava chorando forte, deitada e coberta pelos lençóis. Thony já estava quase ao lado dela, quando num rompante disse: – Vá embora daqui seu porco! Mas, já com menos força e determinação.

Thony, sem pensar, deitou por cima dela, sentiu seu corpo e disse que a amava e a amaria para sempre. Segurou firme os braços de Clair e começou a beijá-la, mas ela resistia todas as vezes. Clair conseguiu saltar um dos seu braços e um tapa se anunciava no curto espaço entre sua mão e o rosto de Thony. A mão parou a meio-caminho. Ela não conseguia movê-la. Os dois pararam, se olharam e Clair disse: – Jamais baterei no homem que amo e sempre amarei e se entregou de corpo e alma para Thony pelo resto da noite. À certa altura, esgotados, adormeceram abraçados.

Algumas horas depois os primeiros raios do sol da manhã se faziam presentes. Clair acordou, mas Thony ainda não. Ela fez uma tentativa de se levantar e sentiu, como sempre, a mão viril de Thony em sua cintura puxando-a para ele.

– Aonde você pensa que vai sem me fazer um carinho antes?

– Eu ia me lavar e pedir um café da manhã para nós. Mas você sempre faz isso. Me agarra! Você é danado! Eu adoro! Mas, eu quero conversar com você. Já que estamos aqui, quero falar uma coisas, disse Clair. Mas, primeiro está na hora de falarmos com nossas filhas no Brasil e minha família. Devem estar ansiosas por notícias, disse Clair.

– Sim!!! Vamos falar com todas!! E eu também quero dizer algumas coisas, disse Thony.

– Thony, me desculpe por ontem e obrigado pela surpresa que estraguei trazendo nossas filhas do Brasil para passarem esses dias conosco. Continuando, eu estava insegura e o evento – cheio de mulheres bonitas – mexeu com uma emoção que nunca tive: o ciúme. Talvez pelo seu passado de mulherengo. Veja, não o estou culpando. Você, na verdade, se portou como um cavalheiro. Me descontrolei, confesso, mas confio em você. Em algumas situações é preciso superar o passado e, ontem, eu não consegui. De madrugada, você dormiu como um bebê e eu tive tempo de refletir. Sei que você tem todo o direito de estar magoado com isso e é justo…

– Espera! Não estou magoado. Via que você não estava bem no evento e sabia o que era, embora não quisesse acreditar. Mas, era necessário que acontecesse para que pudéssemos por a prova o nosso amor. Foi a noite mais linda ontem. Adoro fazer amor quando está com raiva. Ontem selamos nossos propósitos de vivermos juntos, de mãos dadas, para sempre e com nossas filhas.

– Você adora me malignar e me provocar antes de fazer amor. Você acha que não notei que você gosta quando me leva para cama desses jeitos? Você é um danado, não me dá chance e, por favor, continue assim!

– Você disse muitas coisas e eu quero falar também como vejo nosso futuro. Tem uma cidade média perto daqui e é linda. A cidade é circundada por fazendas fantásticas. Vou deixar a Presidência-Executiva do Grupo e me manter só como presidente do Conselho de Administração. Vamos comprar uma casa bonita, ampla, mas simples, na cidade e uma fazenda próxima. Quero continuar a escrever. Vamos morar todos lá!

– Você sempre foi muito “democrático”. Vamos casar, você vai me dar duas filhas gêmeas, e agora “Vamos morar todos lá!” Os dois riram a valer. Eu adoro sua “democracia”. Eu aceito! Acho que para mim e para você e pelas crianças vai ser ótimo. Você precisa de descanso! E eu vou continuar revisando manuscritos e escrevendo para algumas revistas. Mas, só quando as nossas filhas estiverem dormindo. Quero ficar integralmente junto com elas e com você. Depois, lá pelos cinco anos quando entrarem na escola, veremos o que vamos fazer. Topa?

– É todo o meu sonho de vida. Algumas vezes terei de vir a Nova York conversar com pessoas na Editora. Vocês vêm juntas. Voltamos daqui a alguns dias para o Brasil, você será inseminada lá e casaremos No Brasil e aqui nos Estados Unidos em nossa fazenda, nosso lar. Não precisa dizer nada, sei que concorda.

– Seu metido à besta, esta parte era minha, disse Clair. Vou pedir o café e convidar Laura para tomar conosco, ok?

– Claro que sim Clair! Ótima ideia. Contamos as novidades para ela, disse Thony.

Os dois se abraçaram e se beijaram. Clair levantou para tomar as providências. Primeiro ligou para Laura que aceitou toda feliz o convite e, depois, pediu o café do jeito que Thony adora. Ovos com bacon e milk shake de morango. Foram tomar banho juntos fazendo amor rapidamente, antes do café chegar.

– Então Laura! Já resolvi sobre meu casamento com Clair, onde vamos morar, a inseminação de Clair, trazer nossas famílias, especialmente nossas filhas, conforme te contei agora. O que você acha, perguntou Thony.

– Amor! Você pedindo uma opinião para uma decisão sua? Tô pasma, disse Clair.

– Você acha que a decisão foi dele Clair, perguntou Laura.

– Claro que sim e eu concordei na hora, Laura. É ele que toma a maioria das decisões!

– Você que pensa que ele decide algo, disse Laura.

– Claro que sou eu quem decide Laura. É para o bem da família. Mas, às vezes “peço” a opinião de Clair, disse Thony.

– Clair e Thony, meus amigos. O homem não decide nada! Quem decide é a mulher e…na cama. É assim que eles leem nossas vontades e dizem que são deles. Nós, mulheres, estamos sempre no comando desde nossos ancestrais.

Todos riram à valer e Thony surpreendentemente disse que era verdade. Procurava fazer tudo o que sua mulher queria. Apenas tinha um jeito falso de mandão.

– Boa Laura, vou explorar mais esse ponto com Thony. Ele não sabe que não sabe que quem manda sou eu. Agora tenho consciência. Mas, falando sério, meu amor quando fala sabe o que quero ouvir ou fazer. É uma comunhão, disse Clair.

– Está bem, eu aceito! Laura, você com certeza já falou com seu pessoal no Brasil e o pessoal da editora daqui. Como ficaremos comercialmente, perguntou Thony.

– Assim…você continua escrevendo em Português e Clair traduz e faz a revisão. Mas, de agora em diante, faremos lançamentos internacionais conjuntos o que quer dizer que haverá outros tradutores. Vocês topam?

– Claro! Boa ideia você não acha Thony, perguntou Clair.

– Sim! Concordo inteiramente, disse Thony.

– Menino e menina, tenho videoconferência com o pessoal daqui dos Estados Unidos e já pensando no lançamento do seu próximo livro Thony. Depois disso, me perdoem, mas estou exausta e vou “dormir” (piscou para Clair) até rachar os cantos dos olhos. Ótimo café! Beijos! Fui!

– E nós, meu marido, vamos dar uma volta, almoçar, voltar para essa cama quentinha que à noite quero passear num parque que fica aqui perto. A Laura vai conosco. Ela tem novidades. Tudo Bem! Vamos, perguntou Clair.

– Adorei minha Rainha! Mas que novidades são essas da Laura, perguntou Thony.

– Não sei, mas desconfio! E são ótimas, você vai ver, disse Clair.

Clair começou a rir muito, mas Thony quis esperar pela surpresa.

ÀS 19HS

Thony e Clair já estavam arrumados para dar aquela volta no parque de que tanto ela falava, quando alguém bate na porta.

– Deve ser Laura. Vamos amor. Vamos namorar no parque, exclamou Clair!

– Vamos e eu faço o que você pedir, disse Thony. Nossa! Como estou mudando! Se meu pessoal no Brasil me visse agora iam me chamar de boiola, pensou Thony.

Clair abriu a porta e, realmente era Laura. Mas tinha outra pessoa. O detetive Thomas estava de mãos dadas com Laura.

– Clair, Thony. Quero participar que eu e o Thomas estamos namorando firme. O que vocês acham, perguntou Laura.

Eles explodiram de alegria e se abraçaram muito com Thony e Clair desejando felicidades aos dois. Thomas, ainda meio encabulado, agradeceu e disse, olhando para Laura, que seu propósito era sério e a beijou ternamente.

– Vamos, então, estou louquinha para conhecer esse seu parque Clair e namorar, disse Laura.

Saíram pelo lado direito do hotel. Uma pequena subida que levaram dez minutos para fazer. Depois, viraram à esquerda e andaram por mais quinze minutos. Realmente, o parque era lindo e havia poucas pessoas. Muito iluminado, com cópias de obras de arte e outras atrações, como uma laguinho no centro.

Mas, Thomas não era de dar mole para o perigo. Todos estavam sendo acompanhados de longe pelos agentes e por dois policiais. Ele comentou que era só precaução e que não perderiam sua naturalidade. Clair, meio preocupada perguntou: – Serão sempre assim nossas vidas, a minha, de Thony e das crianças Thomas? – Não, respondeu Thomas e continuou: Temos pistas e esperamos prender o que chamamos de “atirador solitário” em poucos dias. Vamos andar, disse Thomas. Diferente de Thony, Thomas era calmo e suave. Passou o braço pela cintura de Laura e a beijou. Era o homem que ela procurava. Estavam apaixonados.

– Thony procurou descontrair e começou a comentar como ele e Clair iriam construir a futura família.

Mas, não funcionou muito não. Thomas pediu para voltarem para o hotel e todos concordaram. Até que o caso estivesse mais esclarecido nada de saídas ao ar livre à noite. Deram meia volta e começaram o caminho para o hotel. Os agentes continuavam a uma distância razoável e bastante atentos quando Clair viu que o farol de uma moto foi acesso à certa distância e vinha em direção contrária. Mas, não disse nada. Era só um pressentimento.

De repente Thomas pede que todas fujam para o interior do parque. Tarde demais! O motoqueiro empunhava uma arma apontada para Thony e quando ia atirar, Clair o empurrou e o tiro pegou na altura do peito esquerdo de Clair. Neste momento, ouve-se uma saraivada de tiros…o motoqueiro caiu morto. Não fosse essa atitude dos agentes e policiais, teria ocorrido uma matança.

Os agentes e policiais já estavam observando o motoqueiro, assim como Thomas, que também atirou, estando Laura atrás dele. Imediatamente Thomas viu o estado de Clair. Chamou a ambulância e a central de polícia e pediu para o hotel mandar seus seguranças e serviço médico.

O serviço de segurança do hotel chegou e se juntou com os agentes e policiais para a proteção de todos. Thony ficou caído com Laura encima de seu tórax. Procurava colocar as mãos por onde saía sangue fazendo alguma pressão. A médica pediu para dar uma olhada e verificou que bala penetrou em uma região onde circula muito sangue. O tempo urgia com Clair desmaiada.

Finalmente chegou a ambulância, o médico mandou que a colocassem na maca para entrar imediatamente no veículo. Thony acompanhou. Dentro da ambulância fizeram todos os procedimentos protocolares e já deixaram de sobreaviso o hospital sobre do que se tratava o ferimento. O semblante do médico não era dos melhores, mas continuava trabalhando. O Hospital se colocou em prontidão, incluindo o Centro Cirúrgico. Os agentes, policiais, Thomas e Laura pegaram seus veículos e zarparam para o hospital.

Chegando no hospital já havia ordem para levarem Clair direto para uma sala cirúrgica. O procedimento foi rápido e a equipe de médicos já estava a postos. Não houve tempo para explicar nada para Thony que ficou desesperado no hall do hospital. Uma enfermeira veio falar com Thony para se acalmar e deu um leve sedativo para isso. Disse, ainda, que, em pouco tempo, ele saberia de tudo.

Enquanto a equipe médica trabalhava, começaram a chegar os amigos de Thony, os agentes e a Polícia, bem como a Imprensa. Thomas se despediu de Laura e foi se juntar aos policiais para coordenar os trabalhos. Todos estavam atônitos, assim como Thony…sem saber o que fazer, senão esperar. Mas todos concordavam que provavelmente Clair havia salvo a vida de Thony o que o deixava ainda mais arrasado. – Ela tem de viver, exclamou Thony por várias vezes. Onde estão meus remédios, pensou Thony. Seus amigos o acalmaram.

– Pessoal! Eu tô bem, obrigado. Duro, mas necessário vai ser falar com nossas filhas e a família de Clair no Brasil. Vou mandar buscar todos já e não mais só as crianças. É assim! Vai dar tudo certo e não preciso de calmantes. Prometi para minha mulher parar com essa besteira e vou cumprir, disse Thony. Deu um murro na parece como um ato de crença.

E o tempo passava – já quase quatro horas na sala de cirurgia – e não sabiam de nada.

Nesse momento, aparece um cirurgião e chama Thony, amigos e Thomas – como chefe de polícia – para uma sala especial e começa a falar:

– Senhor Thony, pessoal, meu nome é Kramer e sou um dos cirurgiões que está cuidado da vítima. Tenho uma notícia boa e uma ruim. A ruim é que a bala se alojou perto do coração. Pode ser fatal se não conseguirmos manobrar sua retirada. Montamos um procedimento para isso e é no que estamos trabalhando.

Acreditamos que teremos sucesso, mas o quadro da vítima é crítico. Um erro será fatal. Não podemos errar e ainda não temos noção de quanto tempo vai levar a cirurgia. Estamos fazendo todos os nossos esforços. Peço que aguardem. Venho trazer mais notícias quando for possível, disse o médico. Vou voltar para a cirurgia e peço que permaneçam nesta sala. Há uma enfermeira e uma atendente do lado de fora, caso seja necessário, finalizou.

Todos ficaram sem saber o que pensar. Estavam completamente abalados. Notaram que Thony não se mexia na cadeira. Parecia congelado, com lágrimas rolando pelo seu rosto e repetindo como que um autômato a frase: – Ela salvou minha vida. Falava baixo, mas dava para escutar e não movia um músculo sequer. Thomas e Laura tentaram, em vão trazê-lo para a realidade, sem sucesso. Thomas pediu a todos que ajudassem Thony, chamou a enfermeira e disse que tinha que falar imediatamente coma Imprensa, antes que fakes news começassem a serem divulgadas. Pouco tempo depois, Thony se recompôs, recuperou as forças e seguiu com sua crença na plena recuperação de Clair. Agora estava inabalável nesse sentido.

Na Sala de Imprensa do hospital encontrava-se já a funcionária do hospital responsável por essa área e os ânimos estavam crescendo por notícias. Thomas, tomou a liderança do evento, dizendo poucos, mais importantes detalhes do ferimento e explicando o que a polícia já estava fazendo. – Diante dos acontecimentos, delicados, peço a colaboração de todos para manterem a calma e evitarem vazamento de informações não compatíveis com o que falei agora. Assim que tiver mais notícias volto e os coloco cientes da situação. Por favor, a hora é de calma. Tudo está indo de acordo com o protocolo médico. Saiu e voltou para perto de Thony, quando notou que Laura o havia trazido à realidade, mas continuava a chorar e a se culpar.

Quarenta e cinco minutos depois da chegada de Thomas, todos vêm o que parecia ser o cirurgião-chefe se dirigindo para a sala com uma experessão no rosto que não podia ser decifrada.

Continua na Próxima Semana