Procurando por Ela – Segunda Versão – Capítulo I

– Nossa! Dormi! Que horas são Laura? Falta muito para chegar, perguntou Thony.

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– São 05:00hs e falta uma hora para chegar, disse Laura. Bom você ter acordado, precisamos conversar, emendou.

– Me diz uma coisa, por que começar por Brasília, perguntou Thony.

– Temos que fazer o lançamento nos centros mais importantes. Temos que correr para o lançamento em Nova York, lembra, disse Laura.

– Tá bom, Brasília, Rio, São Paulo e Nova York. Certo!

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– E a nossa amiga americana, esta dormindo? perguntou Thony.

– Laura se levantou um pouquinho da poltrona-cama e disse que sim. Ah! Nada como viajar na primeira classe, ainda mais, quando são os patrocinadores que pagam, disse.

– Nem foi possível conversar com ela no embarque, mas que deu “liga” deu, disse Thony.

– Thony, seu mulherendo, não vai estragar tudo como esse vício patético, disse Laura.

– Laura! Não é vício! Eu só gosto de aproveitar o que a natureza nos deu de melhor. Apesar do rápido contato no embarque estes olhos não deixaram de perceber que ela é linda, disse Thony.

– Ela está acordando com seu barulho e está vindo para o nosso lado. Cuidado, por favor, ela fala perfeitamente o Português, morou aqui dez anos, disse Laura.

– Goood Mor…desculpem! Bom dia!, disse a americana Clair bem baixinho. Eu vi que vocês já estavam acordados conversando, mas não quero atrapalhar nada, disse Clair.

Oh, não! Como ela é linda mesmo acordando. Estava como uma saia branca até o joelhos, um pulôver branco, lábios finos, mas bem vermelhos, cabelos loiros quase brancos, seios fartos, olhos azuis de doer. Tudo isso, sem esquecer o bumbum na medida certa, em mais ou menos 1,70m de altura que ela deveria ter, assim descreveu Thony, a americana. – Meu tipo de mulher, disse Thony.

A americana fingiu não ter entendido. Laura já estava terrificada.

Meio com sono ainda a americana, que de boba não tinha nada, perguntou: – O que você quis dizer Thony?

Nossa! 1,80 m, pele bronzeada, porte atlético, olhos castanhos para verdes, charmoso, direto, mas com gentileza às vezes, viril. Só tem uma coisa: é mulherengo, eu sinto o cheiro. Mas, comigo não. Não vou ser mais uma na cama dele. Estou longe de homens há 5 anos. Estou com calor. Isso não é bom sinal, sentiu Clair.

– Que você é meu tipo de mulher, é isso, disse Thony. E eu quero você e você vai ser minha. Sei que pode parecer ousado, grosseiro mesmo da minha parte falar desse jeito, mas, você sabe, tem alguma coisa entre nós que é muito forte. Senti isso no embarque e agora pela manhã e não dormi pensando em você e me perguntando: – Será ela? Você sabe que o que falo bate no seu coração, disse Thony.

– Acho que o senhor é muito atrevido (mentira, pensou ela). Se não fosse pelo compromisso que assumi voltaria imediatamente para os Estados Unidos. Então, vou ao banheiro e depois acertamos os pontos que vamos falar no café da manhã, ok?, disse Clair.

– Não leve a mal o Thony. Ele é meio brincalhão. falaremos mais durante o cafe, disse Laura.

– Thony rasgou um olhar penetrante sobre Clair deixando claro que ela sabia que seria dele. Não disse uma palavra.

Clair se levantou da poltrona-cama de Laura com dificuldades e foi meio que tropeçando para o banheiro. Ele a atingiu!!!!! Era a caça!!!!

– Tony, eu vou mandar te capar. Vais virar Eunuco. Você viu o jeito que ela saiu daqui. Eu não vou deixar você magoá-la. Ela esteve comigo no Rio antes, na Editora, sei muito sobre a vida dela. Ela superou um sofrimento muito grande e não foi para cair nas suas garras. Você acha que tudo pode, passa por cima de tudo e de todos, mas desta vez não, disse com raiva Laura.

– Opa! eu não me acho o dono de tudo e muito menos passo por cima das pessoas. Eu simplesmente luto pelo que quero. E não vou magoá-la. Tudo vai depender dela. Eu só vou lutar e, mas, não vou perder, disse Thony.

– O que você sabe à respeito dela, perguntou Thony.

– Se ela quiser, e eu duvido, ela vai te contar.

Já no restaurante do Aeroporto todos estavam se servindo e Thony com a resistência de Laura sempre dava um jeito de ficar perto de Clair que dava um jeito de se afastar. Numa dessas um homem chegou perto de Clair e perguntou algo. Thony imediatamente avançou e disse que ela estava acompanhada.

Ai meu Deus, era só o que faltava: machista, ciumento e um cretino de mulherengo. Ele acha que sou propriedade dele. Tá bom, até seria, mas pega leve. Nossa! O que é que eu pensei? Sai pra lá urubu, pensou Clair.

Thony ficou raivoso – e ela percebeu com alegria – o fato de ter dado bom dia ao homem que lhe dirigiu a palavra. Ela estava pulando de alegria. Eram ciumes! Mas Thony pensou que comigo só tem falado como vou me vestir, como devo me portar, na noite de autógrafos o que devo falar para os jornalistas. Só isso!

Quer saber vou ser eu mesmo, Anthony, e para as cucuias o resto, Vou fingir que estou atento às instruções delas e na hora faço do meu jeito. Quero ver a cara delas!. Tão querendo ensinar Padre Nosso a Vigário. Essa não! E ainda me cumprimenta um estranho com educação. Comigo é só dureza, quero dizer frieza também. Mas, ela vai levar e é agora. Toda a minha indiferença. Acabou! Não vou ficar me acapachando para uma gringa metida a besta. Tá bom, tá bom, exagerei, mas que é gringa é.

Durante o café Thony fingiu ser só ouvidos para Laura e Clair com suas instruções para o evento à noite. Thony era uma megaempresário, muti-milionário, acostumado com esses e outros eventos mais complicados, mas fingia prestar atenção. Aí, Thony pegou na mão de Clair por debaixo da mesa que estava em cima de sua coxa e apertou firme, mas com carinho. Clair, não tirou a mão e os dois as trançaram sempre com Thony acariciando a coxa de Clair. Laura percebia tudo, mas fingia que não.

O café terminou e quando chegou sua vez, Clair mal conseguia se levantar. Foi quando Thony a pegou pelos braços, a levantou e deu-lhe um forte e afetuoso beijo. Clair correspondeu, mas se desvencilhou de Thony e foi cambaleando e chorando para seu apartamento. Todos os presentes aplaudiram e gritaram “Isso é que é amor!”

  • – Mas, Laura, o que fiz de errado. Ela correspondeu e todo mundo tá do meu lado. Não quero saber, ela é minha e proto, disse Thony.
  • – O que foi que lhe disse Thony? Superou um passado muito duro e, de repente, é assediada por um homem bonito, inteligente, carinhoso, mas que tem só um defeito: É MULHERENGO!!!!

– Eu vou falar com ela, disse Thony.

– Não! Agora não, Thony! Eu vou falar com ela e vamos ajeitar tudo isso, mas você vai se afastar dela sem ser frio, entendeu?, perguntou Laura.

– Ele desolado concordou. Mas, dê notícias, Laura, disse Thony.

– Vou sim! Vamos acertar tudo depois do evento, amanhã, disse Laura.

Thony estava atordoado. O que fez de errado? Pensou que a tinha conquistado e estourou um bomba que nunca tinha visto antes. Mas, sentia da parte dela amor e um ódio ao mesmo tempo, como se ela estivesse se traindo. Devia ser porque era mulherengo. Mulherengo? Em outras épocas já estaria com outras mulheres, mas, desde que conheceu Clair não paquerou outras mulheres, não desejou. Foi só Clair. Será que estaria apaixonado desta vez? Ficou feliz com essa possibilidade. Clair era quem procurava. Como seria daqui para frente, pensou Thony.

– Thony passou o resto da manhã andando de um lado para o outro depois do que Laura lhe disse. Disse que lhe contaria tudo depois do evento de Nova York. Até lá pediu para que Thony fosse cordial, mas distante, e se concentrasse nos eventos. Ela estava bem, mas, até parece que ela cometeu um crime. De qualquer maneira era algo muito profundo e dolorido para ela. Thony tomou a decisão de respeitar e voltou a tomar seus calmantes. Os negócios iam bem, pois mantinha contato com a Sede todos os dias. Todos seus colaboradores estavam torcendo por ele. Mas, estava infeliz. Amava pela primeira vez e descobriu que amar também é se sentir inseguro. Mas, neste caso havia fatos que poderiam tornar esse amor impossível. Era castigo de Deus, só podia ser.

Laura e Thony sentaram-se para almoçar. Thony não pediu e não se serviu de nada. Laura se serviu e fez outro prato que mandou para Clair. Thony disse que era pouca comida, que ela precisava se alimentar. Laura disse que, no meio da tarde, ela desceria e comeria mais um pouco. Thony ficou tranquilo. Laura percebeu que Thony estava tomando de novo calmantes e disse: – Isso não vai ajudar ninguém, Thony! O evento é hoje à noite e você precisa estar bem. Chega de calmantes!

– Tudo bem! Nada de calmantes! É que estou me sentindo culpado pelo estado de Clair, disse Thony,

Mais tarde, Clair fez um lanche para aguentar o evento. Foi a sacada do quarto e viu Tony no jardim andando de um lado para o outro sem parar. Foi quando Thony olhou para o hotel e a viu. Eles se olharam durante cinco minutos. Ela voltou para o quarto parecendo chorar.

– Mas o que foi que fiz para deixá-la assim tão infeliz. Ela cedeu, me beijou fortemente. Aí tem coisa e não é namorado ou outra pessoa que ela tenha, disse. Tomou outro calmante!

Chegou a hora de irem pra o Centro de Convenções. Laura e Thony esperavam Clair no saguão. Quando Clair apareceu pediu desculpas pelo atraso, cumprimentou Laura com dois beijos e apertou a mão de Thony.

Ela era estonteante, pensou Thony. Calça comprida dourada e um blusa da mesma com com um cincto prateado. Ela foi fria e profissional com Thony.

– Enfim senhor Thony, sua estréia. Lembra de todas as orientações que lhe demos, perguntou Clair.

Thony ficou irritado e foi mais frio.

– Sim, senhorita Clair. Vou cumprir o meu papel e o mesmo espero da Senhorita.

– Vamos, o carro está esperando, disse Thony que usava um sapato fino de couro cru, uma calça jeans clara e uma blusa branca – sua cor favorita – cuja manga era abotoada e ia até um pouco depois dos ombros.

– Tony? Como você está se sentindo, perguntou Laura.

– Muito bem, muito tranquilo, mas ansioso para falar direto com meu fãs.

– Lembre-se senhor Thony, haverá um limite para autógrafos e depois a imprensa, disse Clair.

– Não haverá limites. Autografarei todos. A imprensa vai entender e será um ponto positivo, disse Thony.

– Poderá lhe cusar dor, senhor Thony, disse Clair (eu sabia, eu sabia, ainda bem que vim preparada).

– Vai me dar é alegria, senhorita, disse Thony e ficou em silêncio até o fim da viagem enquanto Laura e Clair conversavam.

Finalmente chegaram ao Centro de Convenções. Já estava lotado de fãs em fila para pegarem o autógrafo e a imprensa já estava preparada, claro. Afinal, não é nada comum um brasileiro fazer sucessor no mercado literário americano. Mas, não era só isso que eles queriam saber.

Todos desceram do carro sob esquema de segurança, mas veio o primeiro petardo da imprensa.

– Senhor Thony, é verdade que não conseguiu conquistar a senhorita Clair. É verdade que levou um não bem forte da senhorita já que o senhor é conhecido como o mulherengo.

Essa pergunta apertou o coração de Clair. Isso de mulherendo era importante, mas o problema era outro também. Sentiu pena de Thony.

– Primeiro, eu não sou mulherendo; segundo, eu e a senhorita Clair somos bons amigos, mas eu não desisto, entenderam?, perguntou Thony.

– Mas, não é verdade que vocês se beijaram no avião e no hotel, perguntou Clara do Jornal da Cidade. Nós temos as fotos, complementou.

– Não entenderam! Foi apenas um demonstração de carinho, nada mais, respondeu Thony.

– Vocês podem dar mais uma demostração de carinho, continuou a jararaca Clara.

– Não é o local e sem mais comentários. Depois darei a entrevista, disse Tony.

Cumprimetaram os presentes e Thony foi direto para a mesa onde daria os autógrafos. os fãs gritando impacientes lá fora. Laura e Clair se sentaram no lugar reservado a assessoria de Thony. Quando, de repente, Clair foi em direção a Thony. Laura quase teve um enfartto.

– Thony, deixe-me ver sua mão. Ela olhou tocou com carininho e disse: – Está tensa! Você tem os músculos duros! Tente relaxar porque assim vai doer. Apertou com amor a mão de Thony e desejou boa sorte e que estaria alí para qualquer coisa.

Abriram-se as portas para os fãs. Uma correria louca. A segurança entrou em ação. Normalizou a situação e todos querendo o autógrafo e uma foto com Thony. Já passava de uma hora o evento e a mão de Thony começou a tremer e enrijecer.

Foi quanto Claír tirou uma pomada e um sprey da bolsa e foi correndo ajudar Thony.

– Seu cabeça dura! Eu não falei para você ser suscinto nos autógrafos. Você fez verdadeiras declarações. Sua mão travou. Está doendo muito meu be., Thony? Vou passar essa pomada para destravar os músculos e este spray analgésico. Eu sabia que você faria isso. Você acha que pode tomar todas as decisões (eu gosto um pouco disso pensou). Passou a pomada com todo o carinho, os músculos foram se destravando. De vez enquanto se entreolhavam, ela estava com pena dele. Depois veio o spray que foi um alívio. Clair fez massagem (ele é meu homem, mas será que ele vai me querer? Melhor ficar afastada pensou Clair).

Clair pediu aos fãs cinco minutos até Thony ficar bem. Os fãs estavam preocupados também e concordaram com aplausos.

– Eu tô indo Thony. Qualquer coisa me chame, disse Clair.

– Clair! Você vai ser a minha mulher e vai me dar duas filhas gêmeas. Eu te amo, disse Thony.

Clair, que não usava maquiagem, faz o possível para evitar o choro. Conseguiu.

E se ele não aceitar? Ele não é obrigado a aceitar, pensou Clair. Mas, nos Estados Unidos eu vou abrir o jogo. Não aguento mais mentir, esconder!

Depois de pouco mais de duas horas dando centenas e centenas de autógrafos e fotos com os fãs, chegou a vez da imprensa.

  • – Bom! Agora chegou o nosso momento senhoras e senhores jornalistas. Eu quero chamar minhas assessoras para comporem a Mesa: Laura e Clair, por favor, disse Thony.

– Clara, Jornal da Cidade. O Senhor confirma que está tendo um caso com a senhorita Clair e desde quando? perguntou a jararaca Clara.

– Eu não confirmo. Eu afirmo que estou apaixonado por Clair e para aqueles que gostam de dizer que sou mulherengo…uma pausa…eles estão errados. Eu fui, disse, fui mulherengo até encontrar Clair com quem quero e vou casar e vamos ter duas filhas gêmeas. Ela é e sempre será minha última mulher. É para sempre!

Houve um certo tumulto e zun zun zun entre os jornalistas.

– E o que a senhorita nos diz à respeito, perguntou em seguida Clara.

– Não posso esconder. Esse também… emocionada… é o meu desejo, mas nós temos muitas coisas para conversar o que é algo natural.

– Silvia, Jornal do Dia: a senhorita parece que põe um freio no todo-poderoso Thony que tudo o quanto quer, consegue. Essa relação daria certa?

– É verdade! Ela me faz ter uma melhor noção das coisas e do meu comportamento, respondeu Thony.

– Primeiro, eu amo o temperamento de Thony. Parece algumas vezes grosseiro, mas tem um coração de manteiga. Se depois das conversas que teremos aceitarmos um ao outro, não tenho dúvidas de que dará certo, respondeu Clair.

– Jorge, Gazeta do Dia: Senhor Thony, como foi essa estória, como foi a criação de escrever à quatro mãos, sendo que o senhor só tem duas? Como veio essa ideia? (gargalhadas)

– Você pode não acreditar, mas foi em sonho. Sonho mesmo. Acordei e fui direto para o computador escrever a técnica. Não dormi mais.

Depois de várias perguntas, Laura diz: uma última pergunta, por favor.

– Clara, Jornal da Cidade: Senhorita Clair, você não tem saída. Vai ser a última mulher de Thony. Muitas felicidades.

E todos aplaudiram e pediram um beijo.

Thony não se fez de rogado, puxou Clair e tascou-lhe um beijo terno, mas profundo o que a deixou embaraçada.

Durante o trajeto para o hotel falaram só sobre o sucesso do evento. Thony agradeceu Laura pelo esforço em editar o livro aqui e nos Estados Unidos e em mais cinco idiomas. – Estou muito agradecido pelo seu trabalho Laura e, em acreditar que tenho talento. E você Clair, perguntou Thony. – Eu também! Laura você fez um grande trabalho e…- Será nossa madrinha de casamento, se intrometeu Thony. Todos riram. – Obrigado a vocês pela oportunidade. Mas, quero ser madrinha de uma das crianças. – Você Thony, não perde uma oportunidade de me deixar sem graça. Precisava todo aquele beijo. Amanhã vai aparecer nos principais jornais dos Estados Unidos. É um pouco sobre coisas de mulher! E aí? Como eu fico? – Ora você fica beijada, disse Tony. Todos riram.

Já no hotel, Clair pediu para conversar com Laura antes de dormirem.

– E eu? Perguntou Thony.

– Você vai para o seu quarto e antes de eu dormir ligo para você, disse Clair.

– Mas vocês vão falar sobre o quê? Não vem com essa estória de “coisas de mulher” que eu não gosto.

– É sobre os próximos eventos. E eu também não gosto dessas “coisas de homem” fique sabendo, falou Clair.

Ao final da conversa, Lauro falou de que não saberia dizer a reação de Tony. Eu tenho de te dizer Clair, Tony tem problemas muito graves também. Como você, ele não teve e não tem uma vida fácil. Eu vejo que a união de vocês que se amam de verdade seria benéfica para todos. Não perca essa oportunidade minha amiga. Vocês merecem ser felizes.

– Ora, essa conversa não acaba, Eu vou …. o telefone toca!

– Oi, vocês estavam definindo o destino do mundo, perguntou Thony?

– Sim! Vou te dizer uma coisa e você não vai perguntar nada e vai dormir. Aconteceça o que acontecer, saiba que você é o homem da minha vida, caiu o sinal da ligação.

– Tô me estranhando! Fala isso e me manda dormir e desliga na minha cara! Ué! Eu tô ficando maricas? Recebendo ordens de mulher. Vou lá tirar isso a limpo já já. Quando ia saindo do quarto teve uma intuição. Acho que não deve ter sido fácil essa conversa com Laura. Vou deixá-la em paz. Vou deixar ela no comando, mas só às vezes e foi dormir. Num último pensamento, ficou imaginando se ela o aceitaria. Mas, ainda, não tinha coragem de contar. Pela primeira vez estava com medo de si mesmo e de perder a mulher que tanto procurou.

– Mamãe? Amanhã deve sair nos jornais uma foto do Thony me beijando e fofocas e fofocas. É que ele é metido a macho e quer tudo quando quer. Eu o amo mamãe. Na verdade não sei o que dizer, fazer.

– Eu já sinto que você o ama!, disse mamãe.

– Disse que sim, mas não sei ao certo se ele vai me aceitar, disse Clair.

– Esqueceu que sou sua mãe? Você está apaixonada por ele e vai dar tudo certo! Pode deixar que contorno tudo por aqui. Menos a imprensa. Fique tranquila, disse mamãe.

– Nem a imprensa e nem as redes sociais que cobriram o evento em tempo real. O mundo, viu e ouviu tudo. Não tinha jeito, manchetes e mais machetes diziam uma coisa e outra. Para uma, Thony era um troglodita machista metido a besta, para outras um macaco estava roubando uma compatriota, mas, para a grande maioria Thony era um homem de verdade e que não teve medo de declarar o seu amor, mesmo correndo risco. Um homem de verdade. As revistas femininas tinham Thony na capa beijando profundamente Clair. As mulheres estavam ouriçadas perguntando que era aquele gatão. Outras estampavam a foto de Tony sozinho praticando surf. Não restava dúvida, Clair ia ter trabalho.

Thony fez o Rio e depois São Paulo (um estrondo de sucesso nos dois) e tiveram um dia para descansar em São Paulo antes de viajarem para Nova York. Todos já sabiam o que as mídias e a imprensa americana estavam vinculando. Tony só fazia rir, mas Laura e, principalmente Clair, estavam preocupadas. Todos sabiam que eles teriam que dar uma entrevista coletiva para esclarecer tudo e evitar maiores rumores. Clair pediu um calmante para Tony, mas não tomou e aproveitou para jogar todo o vidro fora o que deixou Tony atordoado.

– Tony, deixa eu massagear sua mão. Laura, você me arranja uma bacia com água morna. A mão dele não está nada bem, disse Clair.

– Aqui está a água morna Clair, disse Laura.

– Thony, deixe sua mão na agua morna por dez minutos. Depois eu faço a massagem e colocamos o spray analgésico. Nada de brincadeiras, disse Clair.

– Ah! Essa mulher vai ser minha. Depois do evento em nova York – que você vai vestida de noiva – Vamos direto para a Igreja nos casar e no dia seguinte você vai ser inseminada. Já estou vendo minha duas gêmeas.

– A água morna está fazendo você delirar Tony, disse Laura.

Bem que podia ser assim, pensou Clair.

– Clair por que você está tão nervosa, perguntou Tony.

– A grande imprensa não me preocupa. O que me deixa sem sono são os Tablóides. Devem já ter vasculhados nossas vidas até o ultimo DNA, respondeu Clair.

– Sei, isso me preocupa. Mas, sou de dizer a verdade e quem gostar, gostou, que não gostar, não gostou, disse Tony.

– Isso é uma das coisas de que mais gosto em você, replicou Clair.

– Laura tina saído e Tony aproveitou para deitar em cima de Clair e encher-lhe de beijos. Uma hora parou, olhou fixamente os olhos de Clair e disse: – Eu te amo de verdade e é para sempre!

– Eu também Tony. Mas, vamos resolver nosso relacionamento agora, antes de embarcar para Nova York. Vamos acabar com esses mistérios entre nós. Você sabe do que estou falando. Eu tenho algo sério para te contar sobre a minha vida e eu sei que você tem também. Se compreendermos o que fizemos e aceitarmos, ficamos juntos. Senão, chegamos em Nova York como dois colegas profissionais.

– Deixe eu começar Clair, disse Thony.

Ele tem de ser o meu homem. Como ele é uma macho-dengoso. Eu o amo. Mas, nossos destinos serão decididos agora, pensou Clair.

– Bom, vou direto o assunto. Minha mãe morreu no parto. Fui criado por nossa empregada Ana que inclusive me amamentava. Que eu saiba durante meus cinco anos meu pai não teve outra mulher. Mas, quando tinha seis anos ele se apaixonou por uma mulher bonita e bem mais jovem que ele. Tiveram um filho, Adolfo. Após um ano de nascimento de meu meio-irmão as coisas mudaram. Ouvia brigas e um gritava com o outro. Meu pai para satisfazer os desejos da mulher fez seu testamento onde a única herdeira era ela. As coisas melhoraram um pouco, mas Janete, mulher do meu pai, começou a traí-lo.

– Um dia eu e papai fomos passear, mas ele esqueceu algo. Voltamos e Janete estava na cama com um homem. Meu pai me mandou ir para o quarto. Quinze minutos depois ouço um estampido vindo do escritório dele. Havia se matado. Janete já estava comportada e fingiu um longo choro. Depois do enterro, tudo passou para as mãos de Janete e eu sabia o que me esperava.

– Duas semanas depois, de madrugada, peguei algumas roupas e outras coisas coloquei dentro da sacola, peguei minha economias – não eram muitas – e parti para o mundo jurando que conquistaria tudo e todas as mulheres, mas eu as deixaria antes que me traíssem. E consegui fazer tudo o que jurei.

– Depois de um mês perambulando pelas ruas, de pensão em pensão, o dinheiro já estava no fim. Foi quando eu estava em uma esquina à noite, chorando e com frio, que uma mulher se aproximou de mim perguntando se eu estava sem comer e sem abrigo.

– Era uma prostituta e falei que sim. Ela pediu que a a companhasse e me levou para a casa delas (eram cinco), um prostíbulo. Foi onde eu fui educado para a vida, pois a convite de todas fiquei quatro anos morando no sótão. Fui feliz, mas nunca, nenhuma delas me tocou.

– Já trabalhava em uma loja que mexia com softwares e fazia faculdade de Computação. Juntei dinheiro, fiz um empréstimo e comprei a loja que transformei em fábrica. O resto desta parte você conhece.

– A outra parte Clair é que eu sou bipolar. Já fiz muitas besteiras até me conscientizar que tinha de me tratar. Estou bem há muitos anos, mas, sou bipolar. Você sabe o que isso significa?

– Sim, eu sei!, disse Clair. Podemos vencer juntos!

– Se você não quiser, não precisa contar nada de você. O que passou, passou, disse Thony.

– Eu sou mãe solteira Thony, disse na lata Clair porque de outra forma não sairia. Há seis anos atrás eu conheci um homem no supermercado da cidade onde morava. Simpático, flertou comigo e combinamos de nos encontrar no supermercado na outra semana. Ele era representante de vendas e todas as sextas estava na cidade.

– Tivemos um caso que durou três meses. Ele alugou uma casa. Na sexta fui vê-lo e a casa já estava alugada para uma família. Tomei um choque. Perguntei sobre o antigo inquilino, não souberam me informar. Semanas depois descobri duas coisas. Uma, ele tinha família estável em um cidade longe e a segunda de que eu estava grávida.

– Contei para meus pais, meus irmão e cunhada e todos me deram apoio, menos a cidade que nos ignorou a partir daí. Meus pais e meu irmão venderam a fazenda e compararam outra onde moram até hoje e são mais felizes. A população é mais alegre e aberta. Fora a fazenda que é mais bonita, disse Clair.

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– Veja elas no celular, disse Clair.

– Elas são lindas Clair. São muito você, disse Thony. Elas me conhecem? Já falou de mim para elas?, perguntou Thony.

– Sim!!!! Elas não perdem um estorinha sua em seu site. E, elas sabem que estou assessorando você. Elas perguntam tudo sobre você, tudo! Querem ir para a noite de autógrafos em Nova York, assim como o resto da família. Você é muito querido e respeitado. Todos sabem o que você sente por mim. Não sei mais o que dizer, complementou Clair.

– Eu tenho orgulho de você Clair, disse Thony. Lembra que quando nos conhecemos eu disse que você seria minha. Eu quero, mas não sei o que você pensa do que falei.

Lágrimas escorriam pelo rosto de Clair, o que deixou Thony angustiado e sem esperança.

– Você me aceita como sua esposa, Thony, perguntou Clair.

– Sim! Mas e você me aceita, perguntou Thony.

Ela se jogou em cima de Thony e disse que admirava a coragem daquele jovem e que, agora, entendia seu comportamento com as mulheres, mas que ela era a única e a última.

– Você é e sempre será. Você e nossas quatro filhas. Mas, meu Deus, como elas se chamam, perguntou Thony.

– Oh! Desculpe, é muita emoção. Veja a foto, a da esquerda é Katherine e a da direita e Kath, disse Clair.

– Vou dizer uma coisa e não aceito não, disse Thony.

– Elas vão ser minhas filhas de verdade e vão usar meu sobrenome, disse Thony.

– Não Thony. Não é justo, disse Clair.

– Já decidi Clair. Uma única família, disse Thony.

Clair aceitou chorando de felicidade. Os dois ficaram abraçados e, quando…